Competitividade profissional: Benefícios e malefícios

Por Vitor Correa.

Não é para todos, mas janeiro é um mês em que muita gente está de férias e fazendo uma série de atividades não profissionais. Porém, mesmo estando em férias, muita gente resolve fazer um curso de aperfeiçoamento ou estudar com mais calma algum assunto relacionado ao trabalho. Existem ainda aqueles que nas férias continuam trabalhando como se não houvesse nada de diferente.

A competitividade serve para explicar, ao menos em parte, o comportamento dessas pessoas. Muitas delas se dedicam ao trabalho num período de férias por medo de serem ultrapassadas por concorrentes no mercado de trabalho. Neste contexto, esses concorrentes quase sempre são colegas de trabalho. A escassez de recursos característica do mercado já fomenta a competitividade profissional, porém, em tempos de crise ela tende a ficar ainda mais forte. Além disso, existem pessoas que são “naturalmente” competitivas ou obcecadas pelo bom desempenho e elas possivelmente também trabalharão nas férias.

Competitividade

A competitividade tende a trazer uma série de benefícios para os profissionais e para as organizações, como a busca pela melhoria contínua e por inovações. Os profissionais se desenvolvem e isso também pode impactar positivamente na vida pessoal desses trabalhadores. Cabe destacar que o desenvolvimento de certas competências, como a inteligência emocional, por exemplo, não trará benefícios à pessoa apenas no ambiente de trabalho, mas sim para todas as situações de sua vida.

Por outro lado, a competitividade também pode trazer uma série de malefícios para os profissionais e para as organizações, como o excesso de trabalho e os conflitos no ambiente organizacional. Um indivíduo com alto nível de competitividade pode desenvolver problemas de saúde, como o estresse, por exemplo. Além disso, também pode enfrentar problemas de relacionamento, seja com colegas de trabalho ou com seus familiares.

Portanto, a competitividade profissional atua como uma faca de dois gumes, podendo proporcionar tanto benefícios quanto malefícios para os indivíduos e para as organizações. Neste mês de janeiro, conhecido como “período de férias”, vale à pena a seguinte reflexão: como está o seu nível de competitividade? Espero que esteja alto, visto que ela é importante para o bom desempenho, mas não exagerada ao ponto de lhe causar problemas!

Feliz 2016!

TUDO É CULPA DO ESTAGIÁRIO!

Por Andreza Fernandes.

Não foi uma, nem duas, nem três vezes que ouvi de forma grosseira alguém proferir essa fala. Por alguns instantes cheguei a questionar se isso de fato era verdadeiro, será mesmo que tudo que acontece de errado em uma empresa parte da culpa é de algum “despreparado” que está desempenhando aquela atividade?

Quer queira quer não, muitas organizações públicas e privadas, contribuíram para construção de uma imagem negativa, que nos fez crer na incapacidade de um estagiário em desempenhar de forma competente as atribuições que lhe foram repassadas. Essa não é uma realidade difícil de observar, acredito que a maioria de nós já presenciou uma situação em que o funcionário informou algum erro no processo ou sistema que estava sendo utilizado, e simplesmente para resolver a situação jogou toda a culpa nas costas do estagiário.

Mas será mesmo que sempre a culpa é do estagiário?

É lógico que não, o fato é que algumas organizações com objetivo meramente lucrativo, e com o intuito de apenas conseguir uma mão de obra barata, contratam “profissionais” ainda em formação, que possam realizar atividades rotineiras que por vezes acabam fugindo da realidade do próprio curso, e não com a ideia de contribuir com sua formação profissional, sendo que muitas vezes o despreparo desses alunos, parte da própria organização que ao invés de orientá-los simplesmente determina atribuições aleatórias ou até mesmo nem determina.

Porém, é interessante destacar que nem todas empresas apresentam o perfil retratado acima, temos bons exemplos como a Ambev, a Nestle, o Santander, a Shell que buscam a formação profissional dos estudantes, permitindo desenvolver habilidades e competências, além da possibilidade de adquirir uma grande carga de experiência.

Além dessas empresas, organizações como IEL, tem a iniciativa em realizar anualmente o Prêmio IEL do estágio para identificar as melhores práticas e programas de estágios em todo o Brasil. Estimula empresas e Instituições de Ensinos conveniadas para tornarem seus programas de estágios com diferencial na formação de novos profissionais.

Acredito que estes incentivos e essa aproximação das empresas com o mundo universitário ainda vai dar o que falar, grandes talentos estão sendo descobertos, aí sim podemos dizer que a culpa é do estagiário!

Contínuo

Estocar vento é para os brasileiros sim!

Por Pedro Borges.

Calma leitor, não surte. O último discurso de nossa presidente provocou uma sensação muito desagradável aos seus ouvintes ao afirmar que é necessário desenvolver uma tecnologia para estocar vento. Sim, isso é um absurdo. Mas o que importa de fato é a continuação do discurso de nossa principal representante.

Dizer que outros países precisam unir esforços para criar uma tecnologia para estocar vento é muito mais sério do que se pode imaginar. Nessa afirmativa, nossa presidente está afirmando que pesquisar tal tecnologia não é algo para brasileiros. Muito pelo contrário, é uma competência que somente outros países, citando a própria, têm para desenvolver esse conhecimento.

Dilma

Ora, excelentíssima e povo brasileiro, nós temos competência para desenvolver tal tecnologia sim. Precisamos parar com essa noção de que somente os estrangeiros têm condições de desenvolver qualquer que seja a tecnologia. Não precisamos esperar ninguém inventar nada lá. Podemos desenvolver aqui mesmo, com cientistas brasileiros, com materiais brasileiros, para o Brasil!

Esse discurso de dependência não é exclusividade da presidente: é da nossa cultura achar que alguém virá resolver nossos problemas e que poderemos comprar a solução elaborada por outrem. Senhoras e senhores, nosso país tem pessoal suficiente para solucionar qualquer problema que nosso país tenha. Muitos estão lendo isso agora. Você mesmo, é você aí do outro lado da tela. Você consegue!

Há pouco mais de um mês nós comemoramos o dia de nossa independência, mas ainda agimos e pensamos como se dependêssemos do resto do mundo para tudo. Brasil, desperta desse torpor ridículo e mostre ao mundo, como já fizera no passado, que sua gente é brava! Independência ou morte!

Se você leu isto, deveria ler o resto.

Por Pedro Borges.

Muitas pessoas da geração dos anos 80, meus contemporâneos, sempre questionaram a utilidade da leitura. Até mesmo na faculdade, vários alunos deixam de lado leituras importantes da matéria em detrimento de atividades que demandam menos atenção.
A leitura a qual me refiro não é somente aquela relacionada a textos técnicos, importantes para o desenvolvimento e atualização profissional, mas está relacionada àquela de textos de “entretenimento”, por falta de palavra melhor. Sim, livros que contenham romances, drama, aventura.
Para quê ler isso? Você me perguntaria. Em quê isso ajuda na minha formação profissional?. De cara já é uma forma de relaxar a mente sem deixar de exercitá-la. A leitura de um bom livro, como os clássicos da literatura universal, lhe dá acesso a visões de comportamento pessoal, conflitos, disputas de poder entre outros fatos humanos dos quais você pode nem se dar conta que estão acontecendo ao seu redor.
Ler vários livros ao mesmo tempo também auxiliam a melhorar a percepção de como vários processos que ocorrem conjuntamente podem influenciar nas suas decisões. Você se sentirá quase onisciente, uma vez que se tornará capaz de acompanhar mais procedimentos complexos ao mesmo tempo. Isso é essencial para cargos de topo, que requerem uma visão global da firma.

LendoOutro benefício é o enriquecimento de vocabulário. Aquele da sua área você adquire por meio dos textos técnicos, mas a capacidade de versar de forma simples ou refinada, que é bastante interessante, enfim, esse vocabulário é adquirido por meio da leitura de bons textos literários.
A qualidade do texto é importante. Não procure ler o que está no topo das vendas das livrarias, porque geralmente são livros feitos para atender ao público em geral, que é pouco exigente e quer uma leitura para se divertir. Prefira livros clássicos, elogiados pela capacidade narrativa e introspecção no gênero humano.

A primeira vista, parecem livros chatos, mas dê uma chance e se surpreenda com Voltaire, Shakespeare, Alexandre Dumas, Machado de Assis, José de Alencar, para citar os nacionais, que são exemplos de autores clássicos das mais ricas literaturas.
Esse são alguns dos benefícios da leitura de textos não-técnicos para qualquer profissional. Não foi à toa que você teve aulas de literatura na escola: o objetivo era despertar seu senso crítico e a sua capacidade de abstração. E isso é bastante exigido no mundo corporativo.

Chefe incompetente ou empresa incompetente?

Por Andreza Fernandes e Vitor Corrêa.

Diversos fatores contribuem para que um profissional alcance os níveis mais altos na hierarquia de uma empresa, porém, estes fatores podem ser muito variados. Da mesma forma que um indivíduo pode estar num cargo de liderança pelas suas competências, também pode estar por razões menos louváveis, como trocas de interesses privados, clientelismo, nepotismo, dentre outros.

Independente do tipo de organização, pública ou privada, não é raro observarmos profissionais em cargos de alto escalão que não possuem o mínimo de competência na execução de suas atividades, ainda que muitas delas sejam consideradas simples, como a confecção de um relatório ou o trato amigável com clientes.

Neste contexto, também é preciso salientar que a aparente incompetência de um profissional também é (ou pode ser) responsabilidade da empresa. Alguns fatores que podem fazer com que os funcionários desempenhem suas atividades abaixo de esperado podem ser provenientes da própria empresa. Dentre os principais, podemos destacar uma remuneração inadequada, atribuições excessivas, falta de treinamento e orientação, ambiente de trabalho desagradável, dentre outros.

Assim, as incompetências de um chefe (ou empregado) podem ser reflexos da falta de eficientes políticas de recursos humanos, ou seja, é um problema da empresa e não somente dos profissionais. Essa perspectiva dever ser avaliada, visto que, caso contrário, os profissionais podem ser trocados, mas alguns problemas podem persistir!

O que muitas empresas não querem enxergar, é que por vezes atitudes negativas de chefes incompetentes acabam destruindo profissionais talentosos e até mesmo o rumo da empresa.

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Como nossa cultura pode influenciar durante o processo de seleção e efetivação na empresa?

Por Andreza Fernandes.

Trazendo um conceito amplo de cultura, dizemos que é um conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização. As organizações, por vezes chamadas de organismos vivos, apresentam também uma cultura onde representam normas, valores, histórias, mitos que são aspectos considerados na cultura organizacional.

O que observamos frequentemente é um confronto existente em relação a nossa cultura, formada por nossas crenças e experiências de vida, e a cultura organizacional da empresa a qual entramos.

No entanto, surge a necessidade das empresas estarem mais atentas ao processo de seleção e buscarem profissionais que se encaixem melhor ao perfil da organização.

Imagine só, dependendo da área de atuação que a empresa se enquadre, ela irá trabalhar com atividades rotineiras que não necessitam do desenvolvimento de sua criatividade, entretanto outras empresas buscam pessoas com características mais peculiares, que sejam ousados, gostem de assumir riscos, não tenham medo de errar e que procurem diariamente novas formas de inovar no ambiente de trabalho.

É nesse ponto que observamos a importância de existir uma compatibilidade e afinidade entre a organização e o profissional antes mesmo de ingressar no seu ambiente de trabalho, caso isso não ocorra, logo a empresa ficará insatisfeita ou o funcionário não conseguirá acompanhar as atividades, o que contribuirá com a sua desmotivação.

Nem sempre o perfil organizacional de uma empresa será referência e cogitado por todos. Muitas empresas buscam permanecer no mercado, sonegando impostos, não cumprindo com seus deveres, vendendo produtos ilegais e nem todos estão dispostos a contribuírem com esses tipos de atividades, muitas vezes infringidos os princípios morais e valores que estão arraigados na sua cultura.

Mas e você trabalharia numa empresa de cigarros? E se fosse evangélica? Trabalharia numa boate masculina onde a maioria do público são homens casados atrás de prostitutas? E se você for convidado para ajudar na formulação da estratégia da empresa, trabalharia para eles?

Members of a community welcoming a new member.

Por que Dilma tem a maioria, mas é mais fraca?

Por Vitor Corrêa.

Mais de um milhão de pessoas, segundo autoridades, reúnem-se na avenida paulista para protestar contra a Presidente Dilma. Não obstante, diversas outras manifestações foram realizadas em várias cidades brasileiras com milhares de pessoas fazendo coro contra a Presidente. Tudo isto com menos de um ano após as eleições presidenciais.

Os desejos dos manifestantes são diversos, havendo, inclusive, gritos e faixas em apoio à intervenção militar. Vale destacar que nem todos os envolvidos nos protestos eram a favor da intervenção militar. Assim, o grande aspecto em comum entre os manifestantes era a revolta em relação aos recentes casos de corrupção, com boa parte deles a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Independente de apoiar ou não as manifestações, fato é que ninguém pode negligenciar um protesto que reúne mais de um milhão de pessoas em São Paulo.

Mas por que de tudo isto? Será o choro dos maus perdedores da última eleição? É possível! Na verdade, o grande problema enfrentado pela presidente Dilma é que ela teve a maioria, porém, a maioria em números absolutos de eleitores e, não necessariamente, a maioria é mais forte. Por exemplo, nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a Presidente ganhou apenas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, porém, a margem foi bem menor do que a derrota que ele obteve em estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por exemplo. O que isso significa?

Significa que a maioria das pessoas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste são contrários à Presidente Dilma. Vale destaca que não é uma maioria por margem apertada, mas uma maioria considerável. O grande problema é que essas três regiões supracitadas representam 80% da economia brasileira, ou seja, são regiões com grande poder político e econômico. É nisto que reside a força da minoria (dos 48% dos votos válidos que não foram para Dilma no segundo turno).

Simplificando: quem tem mais força, vinte pessoas que juntas possuem cem mil reais ou uma única pessoa que possui um milhão de reais? Não da para fugir da realidade. Se você tem dinheiro, você exerce influência na mídia. Se você tem dinheiro, você exerce influência nas grandes empresas. Se você tem dinheiro, você exerce influência nos partidos políticos. Enfim, se você tem dinheiro, você tem poder. Um poder econômico que se estende para o aspecto político!

Esse é o grande desafio de Dilma Rousseff: lidar com a insatisfação de uma minoria que possui enorme influência política e econômica no país. É por isso que embora Dilma tenha conseguido a maioria absoluta de eleitores, é mais fraca. Creio que seja uma situação inédita na nossa breve democracia. “Nunca antes na história desse país” o vencedor teve tanto pouco apoio das forças econômicas do país, e nisto reside a fraqueza do segundo mandato de Dilma Rousseff. Ela tem a maioria, mas é mais fraca!

Dilma